Acordei num sobressalto. Não sei o que sonhei, mas certamente foi algo que me deixou realmente agitada, já que acordei desse modo. Vocês podem até achar estranho uma garota da cidade grande, gostar de morar no campo por um tempo, mas eu achei isso uma ótima idéia. Meus tios eram maravilhosos, o que só aumentava minha felicidade.
Decidi não voltar a dormir. Coloquei uma calça jeans, uma blusa, meu all star de sempre e fui caminhar pelo vasto pátio da fazenda. Não tinha amanhecido ainda, então eu poderia ver o nascer do sol.
Caminhei mais de uma hora sem nem perceber o quão longe eu já estava de casa. Aquilo me fazia tão bem, que embora eu soubesse que minha mente pensava em várias coisas, eu não prestava atenção em nada. O campo estava verde, e eu podia ouvir os pássaros cantarem, mesmo que não estivessem perto de mim. Sorri sozinha. Senti uma felicidade tão grande, que me surpreendi com aquilo. Percebi que um casal de beija-flor estavam namorando bem na minha frente. Um voava envolta do outro, com pequenas bicadas, que pareciam rápidos beijinhos.Continuei andando. Havia um pequeno lago na fazenda, e eu estivera lá quando pequena, no entanto a preguiça me fizera esquecer dele algumas vezes. Quase não acreditei quando o vi novamente. Estava tão lindo quanto eu ainda me lembrava, mas agora havia pequenos nuances de sol. Olhei o horizonte à minha frente. Eu realmente nunca havia visto coisa mais linda e plena na minha vida. Aquilo era a natureza na sua essência. A parte do lago mais próxima de mim estava na cor de um azul-céu, mas ao longe, estava num azul-marinho que se misturava com a luz do sol, que agora refletia seu brilho na água.
Decidi sentar e ficar ali por um tempo. Não havia motivo para ter pressa. Comecei a pensar na vida como um todo. Se você pensar bem, verá que o mundo é comandado por amor e ódio. Alguns o levam ao extremo, outros misturam os dois, mas a verdade é que um leva ao outro ou vice-versa. Bem, é minha opinião, pelo menos. Mas a verdade é que as pessoas vêem, o que querem ver. Falando em amor, ele sempre foi um problema pra mim. Não que eu fosse como gelo, não é isso. É que não consigo confiar nas pessoas, ou melhor, nos garotos. Gostei de um uma vez, mas não deu certo. Destino, talvez. Agora meu coração batia forte outra vez e minhas pernas mais uma vez tremiam na presença de um certo rapaz. Mesmo ele sendo diferente de mim, em alguns aspectos, quem sabe?, talvez, não pudesse dar certo mesmo assim?

"Eles são tão distintos quanto o sol e a lua, mas sabemos que a lua não brilha sem o reflexo do sol". Lembrei dessa frase derrepente, uma frase que minha tão amada avó me falara várias vezes. Senti uma pontada de dor. Saudade. Ah, como eu a amava. Tentei lembrar de uma das nossas conversas, quando eu falei a ela sobre esse tal garoto que andava mexendo comigo.

Ela estava sentada na varanda, o assuto já estava no meio.
-Vocês se amam? - Ela perguntou.
-Vó, acho que ele nunca vai sentir isso por mim. Não mesmo. Tipo, é quase impossível. Ele não olha para garotas como eu, sabe? Antes disso acontecer, ele casaria com um camelo.
Ela sorrio, provavelmente pensando que eu estava exagerando.
-Querida, ouça com atenção. Outro modo pela qual a verdade se revela, é quando, sem nenhuma palavra, ela continua alta e clara. Então não importa se você acha isso, o importante é você acreditar que o destino traça o caminho das pessoas,e que se você não acreditar em você mesma, niguém acreditará. Niguém tem todas as respostas, embora elas morem dentro de você. 

Deixei minha lembrança apagar. Olhei novamente para o sol. Senti um sorriso no meu rosto outra vez, e percebi que ela tinha toda a razão.

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Postador por : Adriana Schönell

1 comment

Daniel Savio | 18 de outubro de 2010 11:56

Bonito, tem uma vontade de querer bem...

Fique com Deus, menin Adriana S.
Um abraço.

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